13/06/2017
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Com sutileza característica, o estúdio japonês Nendo subverte mais um vez os paradigmas do mobiliário

Não é tarefa fácil estar informado sobre todos os projetos que brotam das cabeças criativas que formam o estúdio Nendo, capitaneado pelo designer japonês Oki Sato e baseado entre Tóquio e Milão. Apenas nos primeiros meses de 2017, foram 20 contratos, que geraram coleções de móveis, exposições e espaços.

Em tamanho volume de projetos tão variados, os melhores costumam ser os que contêm a fina combinação entre simplicidade e subversão que caracteriza a prática do Nendo, e que o tornou um dos mais desejáveis estúdios de design do mundo.

A linguagem visual do design de Oki Sato valoriza o vazio e o uso do número mínimo de elementos diferentes – sejam materiais, formas ou cores (em geral apenas o branco e o preto). É uma ode à tradição estética japonesa, revisitada de maneira surpreendente, pois transforma a simplicidade em estratégia para mostrar um novo olhar sobre as coisas conhecidas.

Vamos a um exemplo recente: a coleção de móveis criada para a exposição “Home Living Boundless Design” (“Design sem limites para a casa”), em Hanghzou, China, a pedido da fabricante de mobiliário Kuka. À primeira vista, o conjunto formado por cadeiras, poltronas, mesinhas e estantes causa estranheza pela quase invisibilidade. Apenas dois materiais são utilizados: metal pintado de branco e folhas transparentes de polipropileno. Enquanto o metal cria a delicada estrutura dos móveis, as folhas plásticas são utilizadas como suas superfícies (assento, encosto, prateleira, tampo).

A Kuka é uma fábrica tradicional chinesa de móveis estofados, o que levou o Nendo a focar “os valores intrínsecos do conforto”. Justamente porque o conforto nos faz pensar em materiais macios, como os diversos tipos de espumas, enchimentos de pluma e de algodão, a ideia foi usar materiais que não se associam a esse adjetivo.

É a maneira como os elementos são empregados que faz a diferença. Como explicam os designers, as folhas de polipropileno, de 1.5 milímetro de espessura, podem adquirir diferentes níveis de maciez dependendo da distância entre as lâminas e de como são curvadas. Quanto maior o ângulo de curvatura e menor a distância entre as folhas, mais rígida e forte é a superfície. Quanto menor o ângulo e maior a distância, mais macia ela será. Observando a poltrona, por exemplo, vemos que os pontos de contato com o corpo humano têm a característica mais macia, enquanto as junções das folhas na estrutura são mais rígidas, dando suporte ao móvel.

Esse projeto, que desafia paradigmas, é uma forma de tornar os usuários mais conscientes em relação aos objetos que nos cercam e que nos são úteis. Além de proporcionar um conforto surpreendente, os móveis expõem aquilo que normalmente estaria escondido em seu interior.

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Imagem de Amostra do You Tube