Um dos mais respeitados arquitetos americanos, Jim Olson recriou diversas vezes seu refúgio em meio à floresta do estado de Washignton, para estar cada vez mais imerso na natureza

Quando estava em seu primeiro ano de faculdade de arquitetura, Jim Olson recebeu uma proposta tentadora. Seu pai lhe ofereceu 500 dólares e lhe pediu que, com o dinheiro, construísse uma cabana em um idílico terreno próximo a Seattle, que pertencia à sua família.

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A propriedade, à margem do estuário Puget Sound, fora adquirida pelo avô do arquiteto em 1912. Mantinha intacta sua floresta de plantas nativas de Washington, estado no extremo noroeste dos Estados Unidos, com diversas espécies de pinheiros e cedros. Olson construiu uma cabana de meros 14 x 14 pés (cerca de 20 m²), em meio a uma clareira, usando materiais simples pré-fabricados, como chapas de alumínio e de madeira. Um perfeito refúgio para estar imerso na natureza.

Por 20 anos a casinha erguida em 1959 permaneceu igual. A primeira expansão ocorreu em 1981, quando foram adicionados mais dois pequenos pavilhões ligados por um deque, totalizando um quarto, uma cozinha e um banheiro. Outras modificações foram feitas em 1997, 2003, 2014 e este ano, com a criação de vários quartos e uma ampla sala emoldurada por um grande parede de vidro, além de um único telhado unificando os volumes.

A casa foi, assim, acompanhando as mudanças na vida de Olson: primeiro um local rústico para estar com amigos, depois para levar sua jovem família, e agora “um lugar quieto para a contemplação e para o trabalho criativo, e um espaço confortável que pode receber netos e a família expandida”. A única coisa que não mudou é a reverência do arquiteto pela natureza e sua admiração pela beleza circundante.

Nesse processo, os elementos originais foram preservados, integrando-se às novidades e revelando o processo de transformação da casa. Colunas e vigas foram feitas com madeira e aço, os fechamentos receberam compensados de pinus ou chapas de alumínio, o piso combina cimento queimado e ripas de madeira do terreno. Por fim, grandes extensões de vidro oferecem vistas “full frame” do terreno cênico e do estuário à frente. As cores e texturas, amaciadas ao longo do tempo, fazem com que a construção, hoje com 220 m², se funda discretamente à floresta. Os vidros refletem poeticamente a mudança da natureza e dos matizes do céu ao longo das quatro estações do ano.

Olson já declarou que o pedido do pai talvez tenha sido a maior oportunidade da sua vida. Seu escritório, fundado em 1966 com Tom Kundig, é um dos mais importantes dos EUA, e têm entre seus projetos conhecidos justamente espetaculares cabanas em locais idílicos. Trabalhando com materiais industriais como aço e chapas e madeira e vidro, o Olson Kundig é sinônimo de casas de desenho geométrico e estilo industrial imersas na paisagem natural. Para todos esses projetos vale a mesma declaração do arquiteto em relação ao refúgio do Puget Sound: “Estar naquela casa, observando o entorno, sempre me traz de volta a perspectiva de que nós, humanos, somos parte da natureza. Ela é onde tudo começa e tudo termina”.

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