04/07/2017
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Professora do MIT, a designer Neri Oxman desenvolveu com alunos e pesquisadores técnica inovadora de impressão 3D com vidro

Não é novidade que impressoras 3D estão no topo da lista de ferramentas que mais prometem revolucionar o mundo. Essas máquinas possuem o potencial de materializar objetos de qualquer formato, complexidade construtiva e tamanho – sem a necessidade, por exemplo, de moldes custosos, que se justificam apenas em produções de grande escala. Na prática, elas são como as mãos de um escultor ou artesão muito habilidoso – e que ainda podem fazer coisas que as mãos humanas seriam incapazes.

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As impressoras 3D (ou máquinas de manufatura aditiva) leem arquivos digitais de desenhos feitos no computador e os reproduzem com precisão, a partir de uma ponteira que corre em três eixos e que deposita, camada a camada, algum tipo de material. Os materiais utilizados, no entanto, ainda são limitados. As impressoras mais comuns, aquelas que podemos ter em casa por cerca de 500 dólares, usam tipos de plástico.

Cada passo na evolução dessas máquinas é de grande importância. Causou êxtase, então, um anúncio do Massachussets Institute of Technology (MIT), um dos mais importantes centros de pesquisa tecnológica do mundo, de que uma série de vasos e tigelas foram impressos em vidro transparente – o que significa a primeira experiência bem sucedida de usar o material em uma impressora 3D. A responsável é a designer e professora Neri Oxman, que lidera o grupo de pesquisa Mediated Matter do MIT Media Lab.

O vidro não é um material fácil de moldar pela alta temperatura em seu estado líquido (o ponto de fusão é de cerca de 1500 graus Celsius), e a rapidez em que se torna sólido. A câmara superior da impressora recebe o material bruto a 1000 graus e atua como o cartucho de impressão, movendo-se nos eixos X, Y e Z para depositar um fluxo contínuo do vidro, que encontra-se em um estado “gelatinoso”, a 1000 graus (veja o vídeo). O vidro é depositado na câmara inferior através de um bico feito do composto químico alumina-zirconia-silica, resistente ao calor. A câmara inferior, ou cama da impressora, por sua vez, resfria as camadas pouco a pouco, processo que garante a resistência do material sólido, impedindo que o vidro depois se quebre por uma mudança de temperatura ou por impacto.

A nova tecnologia de impressão de vidro, chamada de G3DP, poderia ser usada em escala arquitetônica, para criar “construções de uma única pele transparente”, segundo Neri Oxman. O grupo também está pesquisando maneiras de colorir o vidro, pensando principalmente em meios de torná-lo uma barreira para raios UV quando usado na arquitetura. Se desenvolvida, essa tecnologia irá possibilitar a criação de edifícios diferentes de tudo o que já vimos.


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Crédito das imagens: Reprodução